Quarta-feira
01/09/2010
Entrevista com Vilar Marques
Nascido no dia 8 de abril de 1940, na cidade Marco-CE, Vilar Marques é um dos principais nomes tricolores na locução esportiva de todos os tempos. Em 1954, aos 14 anos, mudou-se para Sobral com sua família, onde começou a consagrada carreira profissional no rádio.
O jovem Vilar, que gostava de ouvir as rádios cariocas Tupi e Nacional, começou a tomar gosto pela radiodifusão graças a grandes locutores, como Osvaldo Moreira, Jorge Cury e Valdir Amaral.
Em 1961, Marques fez seus primeiros testes de locução, na Rádio Educadora do Nordeste, emissora em que seu irmão, José Urbano, trabalhava como técnico. Sendo aprovado de imediato, passou a integrar o quadro de radialistas da transmissora. Sua primeira narração aconteceu no ano seguinte, em uma partida entre Sport Recife e a Seleção Sobralense, no campo da CIDAO.
Em 49 anos na profissão, Vilar já trabalhou em diversas estações de rádio: começou na Educadora, em Sobral. Em seguida, tendo se mudado para Fortaleza, atuou nas emissoras: Dragão do Mar, Uirapuru, Assunção, Ceará Rádio Clube, Verdes Mares, Iracema, Metropolitana e O Povo. Atualmente, integra a “Seleção Titular” da Rádio Cidade AM 860.
Site Oficial Sabemos que a mudança de uma cidade a outra requer, além de boa vontade, certa margem de segurança profissional e estabilidade financeira. Caso contrário, imprevistos podem acontecer, forçando-nos a voltar à nossa terra natal com menos ainda do que possuíamos. O senhor, entretanto, trocou a relativa estabilidade da Rádio Educadora, em Sobral, pela "aventura" na Rádio Dragão do Mar, em Fortaleza. E, ainda por cima, passou seis meses sem receber salário. Como o senhor fez para se manter na nova cidade? A família chegou a ficar apreensiva, esperando sua volta?
Vilar Marques: Sem dúvida, eu passei por momentos financeiros complicados. Mas, “família é família”, e a minha me ajudou como pôde. Apesar de não ter tido salário fixo, Paulino Rocha, que me trouxe de Sobral para cá, me ajudava com as passagens de ida e volta.
Site Oficial O senhor teria vontade de um dia, recompor a equipe do “TIMÃO”?
Vilar Marques: Não. Passei 20 anos sendo dirigente desta equipe, que era composta por, pelo menos, quinze pais de família. Não vou dizer que cansei, mas, as dificuldades foram aumentando, principalmente, na parte financeira. Acabei por desistir do projeto. Além do mais, hoje, as equipes esportivas vivem não só de trabalho, mas, também, da venda de produtos: no rádio, não dá para sobreviver, simplesmente, tendo competência profissional. É preciso, também, saber ser “vendedor de propaganda”.
Site Oficial A ascensão da TV, em meados da década de 1960, provocou a migração de vários radialistas àquele meio de comunicação. Em algum momento o senhor pensou em trabalhar na televisão?
Vilar Marques: Tive um sonho em relação a isso, por volta de 1977. O apresentador Nazareno Albuquerque, que era o chefe de jornalismo da TV Verdes Mares, me viu apresentando, no lugar de Paulino Rocha, o programa “Dois minutos com Paulino Rocha”, que passava aos sábados. Nazareno gostava do meu modo de apresentar, dizia que eu falava bem, que eu tinha boa imagem. E perguntou: “Por que você não apresenta também o Jornal Nacional Local?” Naquela época, eu cheguei a cogitar isso. Mas, depois de 20 anos, acabei me desligando. Hoje, já não tenho a menor vontade de atuar nesta área.
Site Oficial O que lhe traz mais prazer: narrar os jogos do Leão, ou fazer reportagens, para deixar a torcida tricolor sempre bem informada?
Vilar Marques: Sinto falta de ser repórter. Aliás, sinto que hoje há um grande comodismo, por parte dos repórteres. Comodismo causado, talvez, pelas inúmeras formas de se conseguir informações atualmente, como através da internet. O certo seria que os repórteres estivessem presentes em todos os treinos e jogos, para informar bem.
Site Oficial Como começou o seu amor pelo Fortaleza?
Vilar Marques: Foi graças ao jogador Nagibe. Eu era simpatizante do Sobral Esporte Clube, e comecei a simpatizar com o Fortaleza depois de sua ida à equipe tricolor.
Site Oficial Como é deixar a paixão de lado quando está atuando no rádio?
Vilar Marques: Não há duvida de que tenho que narrar com menos paixão. Pois, o papel do narrador é repassar o jogo para quem não está no estádio, com detalhes. Tenho que ser preciso com o que está ocorrendo na partida, sendo forçado a deixar, um pouco, a paixão de lado.
Site Oficial Como o senhor avalia a imprensa esportiva no nosso estado?
Vilar Marques: Considero uma das mais competentes, porque há uma dedicação muito forte de seus componentes. A política, entretanto, tem atrapalhado um pouco. Ela é importante, mas, no futebol, não tem dado certo.
Site Oficial Se fosse possível misturar todas as épocas, qual a seleção de todos os tempos do Tricolor em sua opinião?
Vilar Marques: Lulinha; Louro, Pedro Basílio, Zé Paulo e Sérgio; Chinesinho, Zé Carlos, Lucinho e Amilton Melo; Luizinho das Arábias e Clodoaldo. Opções: Salvino, Caetano, Celso, Ronaldo Angelim, Roner, Serginho, Erandir, Adilton, Eliézer, Rinaldo e Mozart.
Site Oficial Como um apaixonado pelo esporte, você já sentiu vontade de seguir carreira profissional como jogador?
Vilar Marques: Não. Eu era simpatizante do Sobral Futebol Clube. Mas eu jogava até bem, com a camisa do Palmeiras de Sobral. Era especialista em jogar na areia do rio Acaraú. Mas, nunca quis jogar de forma profissional.
Site Oficial O que você acha ser necessário para o Fortaleza sair da atual situação?
Vilar Marques: Vejo a necessidade de dirigentes com maior disponibilidade financeira. Eles, junto com a “força da Nação”, poderiam ajudar a tirar o Fortaleza dessa situação.
Créditos: Luca Laprovítera, Bruno Mota e Gustavo Sá